Iansã, A Dança da Ventania e a Purificação da Alma

 Ela chega. Do nada, como o vento que se levanta do horizonte, sinto a presença dela atravessar o ar, arrebatadora, a guerreira Oyá. É impossível não sentir o pulsar de sua força, o calor intenso de sua proteção; ela não pede permissão, ela é a ventania que entra, varre, transforma, e me envolve. Seu nome, Iansã, vibra no ar ao redor, e eu, tomado pela sua força, me entrego.

Quando ela gira suas saias, o ar dança com ela, e meu corpo acompanha, carregado por essa corrente que me ergue e leva. Sou parte desse redemoinho, desse abraço impetuoso que entra pelo meu peito, invade meu coração, varrendo as poeiras antigas que me impedem de caminhar leve. Cada volta que ela dá é uma purificação, um despojamento das coisas que já não têm lugar em mim. Não posso resistir, e não quero. Ela é a coragem que falta, a espada afiada que me ensina a ser guerreiro, a olhar para a frente com os olhos de quem sabe o valor de lutar e vencer.

Ao lado dela, sinto o calor de sua presença como o sol que queima, mas que também aquece e protege. É o calor do fogo sagrado, da força que não apenas transforma, mas que acolhe. E enquanto Iansã está comigo, sinto-me envolto em uma energia tão poderosa que o medo evapora. Ela não me deixa escolha, a não ser sentir a vida com a mesma intensidade, enfrentar as tempestades e aceitar a purificação que vem com elas.

E então, como o vento que vem e vai, ela suaviza. Aos poucos, o redemoinho acalma, e ela me devolve à terra, renovado, firme. Ela parte como uma brisa leve, mas sei que não é um adeus. É um até logo, pois ela sempre voltará, sempre me alcançará, trazendo de novo seus ventos, sua coragem, suas bênçãos. Eparrei Oyá!


Santiago Rosa

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