MANIFESTO DO TERREIRO DE REZO

 

MANIFESTO DO TERREIRO DE REZO

Não escrevemos para convencer. Escrevemos para assentar.

Como ensinam as entidades que caminham conosco, nem toda palavra nasce para ser dita — algumas nascem para sustentar.

“Antes de falar com o mundo,
a palavra precisa aprender a ouvir o chão.”

Este não é um blog neutro.
É um território assumido.

O Terreiro de Rezo existe porque acreditamos que a palavra pode ser mais do que opinião, mais do que conteúdo, mais do que ruído. Aqui, a escrita é ato de responsabilidade espiritual. Cada texto precisa saber de onde vem, a quem serve e o que sustenta depois de publicado.

Não escrevemos para ganhar razão.
Escrevemos para manter alinhamento.


A palavra como fundamento, não como vitrine

Vivemos tempos em que tudo precisa ser explicado, exibido, performado. O sagrado, porém, não responde bem à pressa nem à exposição excessiva.

Por isso, escolhemos outro caminho.

No Terreiro de Rezo, a palavra:

  • não é espetáculo,

  • não é fórmula,

  • não é promessa de solução rápida.

Ela é fundamento simbólico.
Aquilo que sustenta por dentro antes de aparecer por fora.

Se o texto não assenta, ele não fica.
Se não respeita o mistério, ele não se publica.


Espiritualidade que cabe na vida

Não nos interessa uma espiritualidade que flutua longe da realidade. O que nos move é aquilo que atravessa o cotidiano, reorganiza escolhas, muda a forma de olhar o outro e a si mesmo.

A Umbanda que ecoa neste espaço é:

  • vivida, não idealizada;

  • ética, não performática;

  • comunitária, não hierárquica no discurso.

Aqui, espiritualidade não separa — integra.
Não aliena — responsabiliza.
Não infantiliza — amadurece.


Não ensinamos o como. Cuidamos do porquê.

Este manifesto também é um limite.

Não publicamos:

  • instruções ritualísticas,

  • receitas espirituais,

  • sequências de trabalhos,

  • práticas que pertencem ao chão do terreiro.

Não por falta de saber, mas por excesso de respeito.

Acreditamos que prática espiritual se aprende na presença, com orientação, com tempo, com vínculo. O texto pode apontar sentidos, mas não substitui a experiência.

Cada casa tem seus fundamentos.
Cada caminho exige acompanhamento.
E isso não se negocia.


Nós escrevemos em roda

Falamos em primeira pessoa do plural porque ninguém se forma sozinho. O “nós” que aparece aqui não apaga diferenças — ele acolhe pluralidades.

Escrevemos para quem:

  • está começando e tem medo,

  • já caminhou muito e segue perguntando,

  • não se chama religioso, mas sente o chamado do invisível.

Não exigimos crença.
Pedimos apenas escuta honesta.


Permanecer também é um ato espiritual

Este espaço não foi feito para consumo rápido.
Ele pede tempo, retorno, digestão.

Se você busca respostas prontas, talvez aqui não encontre.
Mas se busca sentido, talvez algo se assente enquanto lê.

O Terreiro de Rezo não aponta destinos.
Ele oferece chão.

E chão não empurra — sustenta.


Este manifesto não pertence a um nome.
Pertence ao chão que o sustenta.

Saravá.

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